Análise Textual Discursiva · Moraes & Galiazzi
O método ATD em quatro etapas
Um dispositivo qualitativo e hermenêutico: um ciclo recursivo de desmontagem, unitarização, categorização e metatexto — não um algoritmo que classifica o corpus por você.
Desmontagem dos textos
Antes de fragmentar, o corpus precisa estar fechado e descrito: quantas entrevistas, quais documentos, qual critério deixou material de fora. Esse registro é o que sustenta, na defesa, a afirmação de que a análise cobriu o que se propôs a cobrir.
A leitura inicial é integral e sem código. Você percorre cada texto buscando os sentidos que o participante efetivamente enunciou, não as categorias que já espera encontrar. Moraes & Galiazzi tratam esse mergulho como condição da emergência: sem imersão, a categorização apenas confirma a hipótese de partida.
Só então o material é fragmentado. Cada recorte recebe um código de procedência — participante, documento, linha — para que qualquer afirmação do metatexto possa voltar ao trecho que a originou.
Artefato ao final da etapa Corpus delimitado, lido na íntegra e fragmentado com procedência rastreável.
Unitarização e unidades de significado
Unitarizar é decidir, fragmento por fragmento, o que constitui uma unidade de significado: o menor trecho que ainda sustenta sentido próprio quando lido fora do contexto original.
Cada unidade recebe um título expressivo — uma frase curta que diz o que ali se afirma, na linguagem do participante antes da linguagem da teoria. Títulos genéricos como “dificuldades” ou “opiniões” são a causa mais comum de categorias frouxas duas etapas adiante.
O produto é uma matriz operacional: unidade, título, código de origem e a reescrita que torna a unidade autoexplicativa sem trair o enunciado.
Artefato ao final da etapa Matriz de unidades de significado tituladas e reescritas, com código de origem.
Aprofundar: artigo sobre UnitarizaçãoCategorização por comparação constante
A categorização compara as unidades entre si e agrupa as que dizem o mesmo tipo de coisa. O movimento é indutivo: as categorias emergem do agrupamento, não de uma lista definida antes da leitura.
O agrupamento acontece em níveis — categorias iniciais, intermediárias e finais — e cada nível exige nomear o critério que sustenta o grupo. Categoria sem critério explícito é a fragilidade que a banca localiza primeiro.
O ciclo para quando novas unidades deixam de alterar a estrutura: as categorias finais absorvem o material sem forçar encaixe. Unidade que resiste ao encaixe é sinal — ou a categoria está mal definida, ou falta uma categoria.
Artefato ao final da etapa Árvore categorial em níveis, com o critério de agrupamento declarado por categoria.
Aprofundar: artigo sobre CategorizaçãoMetatexto: a escrita que responde à pesquisa
O metatexto é o texto autoral que responde à pergunta de pesquisa a partir das categorias — não um relatório que descreve o que cada categoria contém.
Cada categoria final se torna argumento: a afirmação, as unidades que a sustentam citadas com procedência, e o diálogo com a literatura que a confirma ou a tensiona.
A escrita permanece sua. O Portal orienta o percurso, revisa consistência e devolve perguntas; a interpretação e a redação final são de quem assina a pesquisa.
Artefato ao final da etapa Capítulo de análise com argumento, evidência citada e interlocução teórica.
Aprofundar: artigo sobre MetatextoPróximo passo
Aplicar o método ao seu corpus
Escolha o material operacional para executar por conta própria ou uma sessão de orientação sobre o seu próprio corpus.
Base teórica: MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise Textual Discursiva. Ijuí: Editora Unijuí, 2007.